Chega ao Gimnasia um D10S inexplicável

O Ídolo argentino arrastou uma multidão de torcedores do Lobo para sua apresentação

Para o cego, Maradona é a luz

Para o faminto, Maradona é o pão

Para o sedento, Maradona é a fonte

Para o enfermo, Maradona é a cura

Para o prisioneiro, Maradona é a liberdade

Para o viajante, Maradona é o caminho 

Para o mentiroso, Maradona é a verdade

Poderia ser apenas um poema bobo e/ou um meme de internet, o que não deixa de ser. No entanto, é mais ou menos assim o elo estabelecido entre o argentino e o Diego Armando Maradona.

O Maradona não é apenas um jogador de futebol que conquistou tudo o que qualquer outro sonharia em conquistar. Não é somente a representação de um título mundial para um país. Não é apenas o maior jogador argentino que já existiu ou herói de uma nação.

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O Maradona é um Deus. Mas, não o Deus bíblico, o Deus cristão e/ou dono do universo. Ele é tal qual os deuses da mitologia grega. Maradona é pecador como todos nós. Ele erra e acerta, assim como nós. Algumas coisas ditas e/ou feitas por Maradona não são exatamente aquilo que julgamos como corretas. E talvez seja esse lado humano “errático” que faz o Maradona ser tão idolatrado pelos argentinos. A questão é que o Maradona representa e sempre representou o argentino como jogador, como cultura e até como ser humano.

O Maradona não tem vergonha de ser quem ele é, nem mesmo ao expor suas falhas. Mas, a irracionalidade dessa idolatria chega a ser um tanto inexplicável quando vemos demonstrações de carinho e adoração em sua apresentação pelo Gimnasia y Esgrima de La Plata. Sinceramente, na minha avaliação pessoal, um time com sérios riscos de rebaixamento, jamais contrataria o Maradona, visto que não demonstrou qualidades e/ou bons resultados como técnico. Vimos o Maradona fazer um trabalho bagunçado numa seleção argentina farta de opções em 2010. E outros trabalhos em clubes menores, sem expressões e sem repercussão positiva.

Ao argentino e ao amante do futebol nada disso interessa. Então o que importa? Não importa, qualquer racionalidade em relação ao Diego é secundária.

O Maradona é o cara! Ele pode ter sido usuário de cocaína, pode ter caído por doping em 1994, feito um gol com a mão de forma descarada (na verdade, isso é até visto como algo positivo), pode ter tido problemas familiares ou qualquer outra coisa.. E o argentino é capaz de ignorar tudo isso e amá-lo do mesmo jeito. Maradona tem convicções políticas fortes. E mesmo aqueles que discordam das posições do Diego, o amam.

Todo argentino se sente um pouco Maradona. Diego é pedante, arrogante, não liga para filtros no que fala, tem suas convicções, não faz uso do “media training”. E sempre teve o mínimo que todo jogador argentino precisa ter, o que o seu torcedor sempre pediu, “huevos”. Maradona é um cara que tem culhão. Em tudo na vida. Em sua carreira como jogador, em sua vida pessoal e até mesmo como treinador. Cheio de convicções e teorias pessoais, Maradona é autêntico o tempo todo. Goste você ou não. Além de ser toda a simbologia de representatividade do argentino, o Maradona é tudo aquilo que um argentino gostaria e/ou sonhou ser.

O folclore que o cerca é tão grande que é fácil ignorar os outros 20 e tantos jogadores que o acompanharam em 1986. Para o argentino isso pouco interessa, Diego ganhou sozinho. E mais do que isso, Diego vingou uma guerra perdida jogando futebol. O gol do “barrilete cósmico” (aquele que ele sai driblando meia Inglaterra) simboliza a humilhação, o gol com a mão foi a cereja do bolo antes da humilhação. O argentino o festejou com riso jocoso e sentiu-se vingado por meio do futebol por uma guerra perdida, um território perdido, que tanto doeu e fez chorar a tantos argentinos, que lastimou uma pátria.

Logo, como não colocá-lo acima do bem e do mal? O Maradona é por si só a personificação da magia do futebol argentino, do folclore que o envolve e de toda a significação que lhe dão. O torcedor do Gimnasia recebe o Diego como se ele fosse entrar em campo, e fazer tal qual no barrilete cósmico, driblar meio mundo de adversários e mantê-los na primeira divisão. Ilusão? Talvez. Maradona já demonstrou que como técnico deixou a desejar. Mas, quem somos nós para contestar? Meros mortais. Quem somos nós para dizer que algo dará errado estando no comando Diego Armando Maradona? Es D10S, papá! Então, em seguida, ponho-me no meu lugar a espera de um possível “milagre” que a magia do futebol gosta de nos remeter e nos fazer sonhar. A partir de agora o Gimnasia será comandado por um ser superior. E, quem sabe não ocorre a salvação?

 

Foto de destaque: AP

Por: Vinicius Lima

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