Rumo a Tokyo: conheça Graziela Santos, a primeira indígena a disputar um Mundial de Tiro com Arco

Na sua estreia em mundiais, Yaci não consegue a vaga para as olimpíadas, mas se mostra focada a conquistar uma medalha nos jogos de Lima

 

Faltando pouco mais de um ano para as Olimpíadas de Tóquio, no Japão, o Tabela Carioca lança uma série de entrevistas com atletas que buscam a sonhada vaga no maior evento multiesportivo do mundo.

Leia também: Rumo a Tokyo: a importância de uma mente bem treinada no desempenho dos atletas

Para abrir o projeto, intitulado como “Rumo à Tokyo”, temos a jovem arqueira Graziela Santos, também conhecida como Yaci, que significa lua, na linguagem indígena. Aos 23 anos, a atleta foi a primeira amazonense a participar de um Mundial de Tiro com Arco. Mas essa não foi a primeira vez que ela se destacou no cenário nacional. Graziela também foi a representante do seu estado a liderar uma seletiva nacional para os Jogos Pan-Americanos, que será disputado em Lima.

Sem mais delongas, vamos conhecer um pouco mais sobre a indígena que tem colocado o Amazonas em destaque no Tiro com Arco.

 

INÍCIO NO TIRO COM ARCO

Nascida no Rio Cuieiras, no Amazonas, Graziela Santos conheceu o Tiro com Arco ainda bem nova. Aos 12 anos, a indígena se divertia com seus irmãos e levada o esporte como uma brincadeira apenas.

“Eu comecei a brincar com arco e fecha com os meus irmãos e colegas. Onde morávamos, todo ano tinham competições interculturais para comemorar o Dia do Índio. Tem várias brincadeiras, futebol, vôlei e o Tiro com Arco estava nesse meio. Era uma coisa mais de menino, mas eu sempre estava no meio porque gostava da brincadeira. Ai o meu pai e tio fizeram meu arco e flecha e comecei a brincar com todos”, conta Graziela.

Foi em 2014 que a modalidade passou a ser um esporte para a menina. Ela conheceu o Projeto Arquearias Indígenas, que é fruto de uma parceria entre a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), a Secretaria de Estado de Juventude, Esporte e Lazer (Sejel) e a Federação Amazonense de Tiro com Arco (Fatarco), e tem como objetivo transformar jovens índios em atletas de ponta.

 

DESAFIOS PARA CONCILIAR AS COMPETIÇÕES, TREINOS E VIDA PESSOAL

Anne Marcele e Graziela Santos fizeram uma final de campeonato e conquistaram resultado inédito para o Amazonas (Foto: Tácio Melo/Secom)

Manaus conta com um centro de treinamento, onde atletas desenvolvem várias modalidades, mas o Tiro com Arco não está entre os principais. O estado conta com atletas entre os três melhores do Brasil, mas os mesmos precisam encarar as frequentes locomoções causadas por o Amazonas não ter as principais competições do país. A Yaci conta como é para ela encarar esses desafios.

“Eu sou já sou formada em Ciências Contábeis, pela faculdade La Salle Manaus. Por conta de ter um campo próprio para o Tiro com Arco, esse ano eu decidi ir para Maricá, no Rio de Janeiro, para me preparar para as competições”, relata. “A questão das saudades de casa eu estou conseguindo conciliar focando nos objetivos e treinando muito!”, conclui.

 

APROVEITAMENTO DOS TREINOS EM MARICÁ

Como citado por Graziela, ela passou 82 dias treinando em Maricá. O Centro de Treinamento da Confederação Brasileira de Tiro com Arco fica no bairro de Itabepa, em Maricá, e é uma referência para os atletas de alto desempenho. O local foi sede do último Campeonatos Brasileiro da modalidade e por isso se destaca no país.

“Então, fui para Maricá para buscar melhores condições de treino e melhores resultados. Melhorei a nível Brasil, mas ainda busco melhorar mais, e estou me dedicando para melhorar ainda mais”, falou sobre seus treinos no RJ.

E podemos dizer que o período surtiu efeito, pois nesse tempo ela participou do Grand Prix, no México, e conquistou a medalha de prata e também foi a melhor atleta na seletiva para os Jogos Pan-Americanos de Lima, garantindo vaga no torneio e no Mundial de Tiro com Arco, feito inédito para uma amazonense.

 

REFERÊNCIA PARA FUTURAS GERAÇÕES

Ao conseguir marcas inéditas, automaticamente você passa a ser uma referência para os mais jovens. Com Graziela não seria diferente. Com a conquista da vaga no Mundial, ela abriu uma porta para os seus conterrâneos e passou a ser um exemplo para que outros sigam o mesmo caminho.

“Creio que sou um exemplo de atleta para os novos arqueiros de Manaus. Agora já poderemos contar a eles que tem atletas de Manaus na Seleção Brasileira de Tiro com Arco. Sinto orgulho de ser descendente indígena, e estou fazendo o meu melhor para representa-los bem!”

 

JOGOS PAN-AMERICANOS E MUNDIAL

Yaci terminou seu primeiro Mundial de Tiro com Arco no 107º lugar – (Foto: Divulgação World Archery)

Medalha de prata no Grand Prix do México, melhor atleta na seletiva para os Jogos Pan-Americanos e garantia de vaga no Mundial. Vivendo uma boa fase, Graziela conta quais são suas expectativas paras as próximas competições. O Mundial era a primeira chance de conseguir vaga nas Olimpíadas de 2020.

“Para o Mundial, o objetivo era conseguir já garantir a vaga em Tóquio, mas infelizmente não saiu como o esperado. Vou continuar treinando para alcançar um melhor resultado!”, falou sobre o Mundial.

O Mundial de Tiro com Arco aconteceu nessa semana, na Holanda, e a atleta terminou a competição na 107ª posição. Agora o foco passa a ser os Jogos de Lima, que acontecem entre julho e agosto.

“Nos Jogos Pan-Americanos vamos em busca de uma medalha para a equipe feminina”, finalizou.

 

INCENTIVO AO ESPORTE

Fechando a entrevista, Yaci falou sobre a importância do incentivo ao esporte. Ela que surgiu de um projeto de incentivo, sabe bem como faz diferença e não enxerga as modalidades tendo sucesso sem o aporte do governo brasileiro.

“O incentivo ao esporte é fundamental para formar novos atletas! O apoio foi fundamental para que eu e meus colegas pudéssemos chegar no nível que estamos hoje! Isso precisar melhorar, pois sem incentivos financeiros o Brasil não chegará a ser uma elite no Tiro com Arco! Como em outro esporte também!”, encerrou Graziela.

 

 

Por: Valdeir Militão  |  Foto de destaque: Divulgação World Archery

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