Com nove derrotas seguidas, Seleção Feminina chega em crise política para a Copa do Mundo

Mesmo após derrotas consecutivas, Vadão permanece no comando da seleção para o Mundial

 

A última segunda-feira (07/05) foi marcada pela expectativa para a Copa do Mundo Feminina de Futebol. Faltando um mês para o início da disputa, na França, o mundo celebra a Copa que tem tudo para entrar para a história. O nível das seleções só têm crescido nos últimos anos, juntamente com a evolução na qualidade das ligas locais. Caminhando de mãos dadas, a divulgação e a importância dada ao Mundial Feminino está gigantesco, tanto pelo lado da imprensa mundial, como pelos torcedores, que têm buscado ingressos. Finalmente o futebol feminino está tendo um reconhecimento com uma Copa do Mundo digna, mas nem tudo é de se comemorar.

Por outro lado, a seleção brasileira parece longe de quando conquistou o vice-campeonato, em 2007, na China, e isso preocupa. De lá para cá, muita coisa mudou no futebol feminino, e hoje, podemos dizer que estamos no auge da modalidade no mundo. No Brasil não foi diferente. Desde 2015 a CBF tem uma seleção permanente, com dinheiro e estrutura para desenvolver o futebol das meninas. Além disso, o Campeonato Brasileiro ganhou corpo e hoje conta com grandes camisas nas séries A e B e os clubes foram obrigados a desenvolverem o futebol feminino.

Seleção estreia no mundial dia 16/06 contra a Jamaica – (Foto: Laura Zago/CBF)

Entre as protagonistas em campo nossa equipe é qualificada, inclusive com boas renovações. Marta, nossa rainha seis vezes melhor do mundo, é destaque do Orlando Pride (EUA), que também conta com a Camilinha. Também na NWSL (Liga Americana de Futebol Feminino), Debinha brilha no North Carolina Courage, sendo presença constante nas ‘seleções do mês’ da liga. Na Espanha, Ludmila ajudou o Atlético de Madrid a conquistar o tricampeonato espanhol, no último final de semana, e o Barcelona – de Andressa Alves – disputará a final da Champions League no próximo dia 18, contra o Lyon. Aos 41 anos, Formiga vai para o seu sétimo mundial e pretende ir para sua sétima olimpíada no ano que vem, em Tóquio. Na semana passada, a lendária Formiga prolongou o seu contrato com o PSG (França) até 2020. Por lá, Daiane também mostra seu futebol.

Mas por que o Brasil não consegue os bons resultados conquistados até o começo da década?

Muito se explica pela comissão técnica comandada por Vadão. Ele assumiu a seleção feminina em 2014 com o objetivo de levar o Brasil ao inédito título das Olimpíadas. Não deu certo. O Brasil terminou em 4º lugar e Vadão foi substituído por Emily Lima, que ficou dez meses no comando da equipe. Mesmo obtendo aproveitamento superior a 50% (sete vitórias em 13 jogos), Emily foi demitida do cargo, sem adiantar o apelo das atletas diante do presidente da CBF na época, Marco Polo Del Nero.

Para Camila Lima, treinadora com formação em educação física e no programa de análise de desempenho da Universidade do Futebol, o maior problema da seleção feminina é político.

“Eu não tenho a propriedade para te responder com exatidão porque eu não estou dentro do processo. Mas sim, é um dos culpados pelo mau desempenho que a gente apresenta. O problema da seleção é muito político. Temos muitos problemas com o coordenador [de futebol feminino da CBF] Marco Aurélio Cunha. Vejo mais como uma cadeia de culpados, inclusive incluindo algumas jogadoras. Mas se formos pegar pela cabeça do técnico, sim, ele tem muita culpa”, afirmou a estudiosa.

Ao que parece Emily batia de frente com a cúpula da CBF sobre algumas decisões, como convocar atletas mais novas para mesclar com a experiência e tomar à frente na decisão dos adversários enfrentados em amistosos. A própria Emily confirmou esta informação em entrevista ao Estadão, na época da sua demissão, em setembro de 2017.

Em campo, a seleção mostra buracos na defesa, pouca criatividade no meio e muitos erros de passes e ligações. Marta, que sempre teve liberdade dentro de campo, hoje é “amarrada” na seleção de Vadão, que acumula nove derrotas seguidas. Você não leu errado não. São NOVE revezes seguidos do time que tem grandes estrelas de times renomados no cenário do futebol feminino. A seleção não vence desde julho de 2018 e protagonizou derrotas recentes para Espanha e Escócia, as primeiras contra esses adversários na história do futebol feminino.

Camila defendeu a ex-treinadora da seleção Emily Lima, reforçando o motivo de estar analisando a seleção dentro de campo: entender os porquês das nove derrotas consecutivas.

“Eu não gosto particularmente de avaliar resultados, tendo em vista que era um período preparatório, mesmo estando cada vez mais próximo da Copa do Mundo o resultado para mim seria menos importante se o desempenho fosse bom. E por isso eu vim tentar entender isso também, analisando dentro de campo. Então as decisões são políticas, principalmente, porque se a gente pega a antecessora ao Vadão, que foi Emily Lima, [ela] tinha um trabalho bom. A Emily desenvolveu muita coisa, principalmente extracampo, fazendo convocações regionais, e estando mais presente no futebol brasileiro. Era um trabalho bom, que mostra que a Emily foi demitida não pelos resultados, mas por motivos políticos. A mesma decisão política que levou o Vadão de volta para a seleção e que o mantém para a Copa do Mundo”, declarou Camila, que prepara uma espécie de “dossiê” analisando os quatro últimos jogos da seleção.

No Brasil, uma sequência de nove derrotas acaba com o ciclo de qualquer treinador. Não precisamos ir longe, a CBF demitiu a ex-treinadora após sequência de cinco jogos sem vencer, mas parece que o Vadão tem o aval da CBF. Na seleção masculina, é impensável o time de Tite ser derrotado nove vezes seguidas e o treinador se manter no cargo. Por que no feminino é diferente?

“Respeito o profissional, mas não acredito que o Vadão seja o melhor para a seleção brasileira. Essas decisões políticas interferem na seleção desde quando Emily foi demitida. Nós estamos vendo o que todo mundo falou quando Emily foi demitida, inclusive eu. Uma palavra era muito comum entre os textos: retrocesso. E de fato de alguma forma nós retrocedemos. Ali, naquela decisão, a gente já começou a interferir no mundial”, esbravejou a treinadora que participou de um trabalho com Emily no Santos.

A nossa reportagem entrou em contato com a assessoria de algumas atletas do futebol feminino brasileiro. Ninguém quis falar sobre o caso.

O silêncio das jogadoras evidencia o desgaste na seleção brasileira de futebol feminino. No próximo dia 16, a CBF anuncia a lista das 23 jogadoras que estarão em Grenoble, no dia 09/06, para fazer a estreia do time canarinho na Copa do Mundo contra a Jamaica.

“Agora todo mundo espera que o desempenho pelo menos nos classifique na primeira fase, que a gente precisa ganhar da Jamaica para ter o primeiro alívio e nos classificarmos para as oitavas. Das oitavas em diante é meio que com a sorte, embora eu não goste dessa expressão, mas é o que popularmente tem se difundido quando se fala de seleção feminina”, disse Camila.

Até lá a gente torce para que as meninas consigam se unir para passarem por cima das adversidades e, na garra, alcancem voos altos em solo francês.

 

Resultados da Seleção Feminina desde julho de 2018:

Torneio das Nações

Brasil 1 x 3 Austrália

Brasil 2 x 1 Japão

Brasil 1 x 4 EUA

 

Amistosos Oficiais

Brasil 0 x 1 Canadá

Brasil 1 x 3 França

Brasil 0 x 1 Inglaterra

 

Últimos Jogos

Brasil 1 x 2 Espanha

Brasil 0 x 1 Escócia

 

 

Por: Bruno Dias e Danilo Goes  |  Foto de destaque: Divulgação CBF

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2 thoughts on “Com nove derrotas seguidas, Seleção Feminina chega em crise política para a Copa do Mundo

  1. Vadão, Marco Aurelio , Romeu, etc fora!
    Marco Aurelio não vai trocar ê…tudo bem!
    Encurtou o tempo e agora ???
    Atletas temos …não tem técnico e vontade da CBF
    Acorda a bandeira e Verde e Amarela.
    Fora Vadão

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