Blog do Lavor: Arão é o Paulinho da Copa da Rússia

Volante rubro negro está em alta com Abel Braga, após uma boa partida contra a Cabofriense. Porém o torcedor rubro negro ainda tem um pé atrás

 

Se realizarmos uma enquete com a torcida do Flamengo para montar a equipe titular do meio para frente, quase que por unanimidade será concordada a saída de William Arão dos titulares para que o quinteto: Everton Ribeiro, Diego, Arrascaeta, Bruno Henrique e Gabigol possa jogar.

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William Arão foi um dos melhores em campo na goleada sobre a Cabofriense no último domingo. Mas isso só aconteceu pois o sistema de jogo do Flamengo permitiu. Para analisar a função tática de Arão, é preciso relembrar de Paulinho na Copa da Rússia.

Em muitos dos jogos da seleção brasileira, principalmente na fase de grupos, os adversários se fechavam e dificultavam as ações de ataque da seleção. Naturalmente, sem encontrar espaços para se infiltrar entre as linhas, Paulinho avançava e ficava preso na marcação como se fosse um atacante. Sem condições de receber a bola e nem ao menos voltar para ajudar Casemiro na saída pro jogo. Deixando Coutinho sobrecarregado

na saída de bola e fazendo com que até mesmo Neymar voltasse para tentar iniciar as jogadas. E não passava de tentativa.

O mesmo acontece com Arão, muito se estranhou que o camisa 5 rubro negro, jogou enfiado na área em algumas partidas dessa Taça Guanabara. E o motivo foi o mesmo de Paulinho. Quando se joga contra uma equipe fechada (e contra o Flamengo, no Maracanã, 90% dos adversários jogam assim), o volante detentor dessas características não tem como infiltrar e fica sem função em campo. Sobrecarregando o meia Diego que precisa voltar ao lado de Cuéllar para iniciar as jogadas de ataque.

E aqui uma observação sobre Diego: com Barbieri em 2018, o meia chegou a fazer essa função, voltando para iniciar as jogadas e não deu certo. Diego prendia demais a bola, girava para um lado e para outro e por vezes preferia cavar uma falta a dar sequência na jogada. Fato que travava a bola de chegar ao ataque. Barbieri ajustou o erro ao puxar Paquetá para a função e aproximar Diego da área do adversário para finalizar ou dar o último passe.

Sem Paquetá no elenco atual, Diego se mostra diferente ao voltar para iniciar as jogadas. Tem soltado a bola com maior rapidez e poucos toques, mostrando que aumentou sua inteligência tática e entendeu que nesse setor do campo, tem de adotar outra postura.

Confira também o desempenho do Flamengo em outras modalidades:

Voltando ao caso Arão, quando digo que o sistema de jogo do Flamengo o permitiu  fazer uma boa partida, é porque os demais meias, e até mesmo Uribe, se movimentaram constantemente durante os 45 minutos finais, confundindo a marcação da Cabofriense e abrindo espaços para que Arão viesse de trás. Tome como exemplo o gol de bicicleta de Diego. Arão vem de trás, se antecipa ao marcador e tabela com Everton Ribeiro, para aí sim dentro da grande área poder assistir ao golaço do camisa 10.

E mesmo após a saída de Arão, sob muitos aplausos da arquibancada, para a entrada de Arrascaeta, a movimentação prosseguiu. Com troca de posições entre o uruguaio, Ribas e Ribeiro. Apenas Bruno Henrique teve a posição fixada aberto pelo lado direito. Uma pena que essa formação, tão esperada por rubro negros, tenha durado apenas 7 minutos na prática. Pois com a entrada de Ronaldo no lugar de Everton Ribeiro, voltou-se a formação inicial.

Há de se levar em conta que com uma possível saída de Arão para a entrada de Arrascaeta, além de diminuir a estatura da equipe no meio de campo, perde-se também uma importante peça dentro da área nas jogadas de bola parada. Dos 5 jogos até aqui na Taça Guanabara, em 4 deles o Flamengo marcou gols em cobranças de escanteio. Rhodolfo contra o Bangu, Bruno Henrique contra Botafogo, Rodrigo Caio contra Boavista e o próprio Arão contra a Cabofriense.

O que Abel vai fazer? Ainda não sabemos. Mas para que Arão seja mantido na equipe será fundamental que os jogadores de frente joguem por ele. E abram os espaços para que o mesmo avance e seja o “elemento surpresa”. Ou Arão será apenas um jogador sem função tática e o torcedor será soberano, como tem dito Abel Braga.

 

 

 

Por: Felipe Lavor  | Foto de destaque: André Durão / Getty Images

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